A escola de samba de São Paulo desfila a partir das 5h deste sábado, 25, no  Sambódromo do Anhembi, apresentando o samba-enredo “Amor com Amor se Paga – Um Mundo Animal”. A agremiação será a segunda escola de samba do Brasil a não usar qualquer produto proveniente de animais em fantasias, adereços e carros alegóricos.

Com visibilidade mundial nos telões da Times Square, a opção da Águia de Ouro de fazer um desfile  livre de crueldade animal deve-se à exigência de Luisa Mell, conhecida como defensora dos animais desde 2002, quando passou a comandar o programa “Late-Show”. Sem participar do Carnaval há dez anos, ela só aceitou desfilar se a escola não usasse penas e nenhum outro material de origem animal.

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Conforme o UOL, Luisa disse ao carnavalesco da Águia de Ouro que “não dava para proteger um animal explorando outro, porque no início o tema era só sobre cachorros, então dei a ideia de tentar fazer um Carnaval diferente, e eles toparam. Contei todo o meu trabalho e, quando eles me mostraram o enredo, chorei. A escola vem mostrando que todos os animais sofrem, abordando vários temas polêmicos. É um carnaval protesto”. Segundo ela, o carro alegórico do qual é destaque será bem chocante. O carro homenageia a baleia Tilikum, que morreu no Sea World. Imagens da onça Juma, do Exército de Manaus, que foi morta nas Olimpíadas, e do gorila Harambe, morto a tiros no zoológico de Cincinatti, além de uma ala de circo sem animais, estão entre os destaques que a escola vai levar para a avenida.

Apoio de veganos e protetores de animais

Foto: Guilherme Samora - Quem

Foto: Guilherme Samora – Quem

Para o biólogo Frank Alarcón, porta-voz do Partido ANIMAIS, em vista da popularidade do Carnaval Brasileiro, trata-se de um evento sem precedentes por proporcionar em escala nacional e mundial a reflexão e a discussão de como exploramos e subjugamos os animais não-humanos. “O Partido ANIMAIS saúda a escola de samba Águia de Ouro pelo gesto vanguardista, elogia Luisa Mell pelo protagonismo na luta pelos vulneráveis e abraça cada um dos corajosos protetores de animais e demais participantes do desfile pela acertada escolha. Consideramos a Águia de Ouro campeã do Carnaval 2017.”

Citada no samba-enredo que aborda a crueldade no tratamento dispensado aos animais por meio de um cachorro, Luisa tem recebido apoio de veganos e protetores de animais do Brasil e exterior.

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Ingrid Newkirk, fundadora e presidente da ONG PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), vestiu a camiseta da Águia de Ouro. Rita Lee, uma das primeiras artistas brasileiras a defender publicamente os direitos animais ao criticar a Farra do Boi, também mostrou sua adesão à iniciativa: “Desfile do futuro não usa nada de origem animal”, afirmou à revista Quem. O músico João Gordo também vestiu a camiseta da escola, enquanto Adriana Grecco, uma das ativistas que libertou os beagles do Instituto Royal, já está pronta para a folia. “São duas tribos se unindo com muito amor para levar seu recado para o mundo inteiro, já que o Carnaval Brasileiro é um dos maiores eventos da Terra. Vamos vencer pelo amor e pela ética, pois ninguém deveria ter o direito de se divertir e se embelezar às custas da tortura de animais, nossos irmãos”, declarou em seu perfil numa rede social. A SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira) ressaltou que a Águia de Ouro deve servir “de exemplo para todas deixarem a exploração animal longe da festa”.

Detalhes do sofrimento das aves
As plumas e penas de aves como o faisão, pavão, ganso e avestruz são os adereços mais procurados durante o Carnaval. A preferida das rainhas de bateria é a pena de faisão, sendo cada fantasia composta por aproximadamente cem peças.

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Provenientes da África do Sul, Índia e China, país que tem as menores proteções legais para os animais, as penas e plumas são arrancadas de forma cruel pelos criadores, conforme mostra este vídeo.  A técnica conhecida como zíper consiste em levantar o pescoço do animal, deixando-o com as pernas amarradas.

Gansos têm uma expectativa de vida de 12 a 15 anos, enquanto os avestruzes podem viver cerca de 40, sofrendo com a extração brutal de suas penas três vezes ao ano, sujeitos a queimaduras pela exposição ao sol, ferimentos, infecções graves e até a fraturas, por lutarem para se livrar da dor durante o processo.

Como o Brasil é um dos maiores importadores de penas e plumas, uma petição on line solicita aos presidentes das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo que as penas naturais sejam substituídas pelas sintéticas, com o intuito de gerar reflexão sobre sofrimento dos animais. A iniciativa já conta com mais de 175 mil signatários.

Desde 2012, o Ibama realiza a campanha “Não tire as penas da vida”, em Parintins, AM, visando combater o comércio ilegal de produtos e subprodutos da fauna silvestre, principalmente artefatos (brincos, cocares, colares tiaras etc.) confeccionados com penas, plumas, dentes e ossos.

Em 2015, a Bolívia proibiu o uso de pele e plumas de animais nas fantasias de Carnaval do país.

Apoie a Águia de Ouro nas redes sociais usando as hashtags:  #aguiadeouro #carnaval2017 #carnavalsemcrueldade.

Saiba mais:

Águia de Ouro

Samba-enredo

Instituto Luisa Mell 

Por Gelcira Teles, com informações de Luisa  Mell, Quem e UOL

Fotos: Águia de OuroLuisa  Mell, Quem

Imperador do Ipiranga
Em 2008, a Escola de Samba Imperador do Ipiranga, do Grupo de Acesso de São Paulo, realizou um desfile considerado ecologicamente correto e em defesa dos animais. Com orientação da Tribuna Animal e do Quintal de São Francisco, duas organizações de proteção aos animais, a agremiação eliminou penas e plumas das fantasias e o couro dos animais, presente nos instrumentos da bateria e nos sapatos.

“Algumas escolas já eliminaram plumas, mas não em todo o desfile, muito menos nos destaques. Fizeram isso só em algumas alas. Além disso, os instrumentos da Imperador do Ipiranga serão novidade, um marco no Carnaval”, declarou à época ao Diário de São Paulo, Altina Medeiros Madellini, presidente da Tribuna Animal, que auxiliou a escola na confecção das fantasias.

Com o samba-enredo “A salvação do planeta é o bicho”, de Anselmo Brito, a escola apresentou temas ligados à preservação do meio ambiente, dos animais e do planeta. As alas criticaram o tráfico de animais silvestres, o circo que abusa de animais, os rios poluídos, as queimadas e os rodeios.  As baianas representaram a mãe natureza e os integrantes da bateria foram caracterizados de caçadores.  Com informações do Diário de São Paulo.