Fundadores do Partido ANIMAIS estão à frente da denúncia do abate de 300 cervos supostamente contaminados com tuberculose do Pampas Safari, situado em Gravataí, Região Metropolitana de Porto Alegre, RS. Na terça feira, 22 de agosto, descobriram que os animais estariam sendo abatidos em lotes (18 já teriam morrido com tiros de pistola pneumática), mobilizando imprensa e parlamentares simpáticos à causa.

Porta-voz do ANIMAIS, o biólogo Frank Alarcón foi adicionado ao grupo que organizou o protesto hoje, 25, às 10h, em frente ao Ibama/RS, órgão que determinou a matança.  “Mais uma vez, empreendimentos que exploram animais mediante sua visitação em clausura – tais como zoológicos, aquários e assemelhados -, dão espaço para que tragédias e indolências como a que hoje ganha visibilidade, aconteçam.” Para o biólogo, casos como este são exemplos que não podem ser repetidos.

Repercussão nacional
Desde que o caso ganhou visibilidade, Alarcón e membros do Partido ANIMAIS de Porto Alegre se dividiram nas tarefas de levantar os documentos sobre o caso junto às Secretarias Estaduais da Agricultura e do Meio Ambiente, Ibama e MPF, e contatar a imprensa visando versões favoráveis à manutenção da vida dos cervos.  “É necessário ação estratégica e coletiva para casos dessa natureza. O ANIMAIS, Primeiro Partido Animalista da América Latina, busca justamente proporcionar acesso a uma ferramenta de combate institucional contra os abusos praticados contra os vulneráveis não-humanos”, pontuou.

Mediante a intervenção do deputado federal Ricardo Izar (PP/SP) junto ao Ministro do Meio Ambiente José Sarney Filho e Ibama/RS, o ANIMAIS está tendo franco acesso à documentação relativa ao parque. Izar declarou que o caso revela a indolência e descaso dos órgãos competentes na fiscalização, e evidente crime ambiental e sanitário dos donos do Pampas Safari.

O Instituto Luisa Mell, do qual Alarcón é fundador, está envolvido na investigação e denúncia do escândalo no RS. Luiza fez postagens e vídeos em suas redes sociais, gerando milhares de compartilhamentos. “Estes animais foram retirados de seu habitat, confinados para serem explorados e agora que não têm mais lucratividade para o parque vão ser assassinados com o aval do órgão que teria que defendê-los”, denunciou.

ANIMAIS repudia abate de cervos do Pampas Safari, no RS

Foto: Andrei Fialho – GES

Suspensão do abate
No dia 24, a Fundação Municipal de Meio Ambiente (FMMA), de Gravataí, determinou a suspensão da retirada de animais do Pampas Safari,  recomendando ao Ministério Público Estadual a realização de reunião integrando os órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente  (SISNAMA) para definição de medidas adequadas para o tratamento da questão.

Na mesma data, a Justiça do Rio Grande do Sul proibiu, em caráter liminar, o abate dos animais. A decisão acolheu ação impetrada pela deputada estadual Regina Becker Fortunati (Rede) contra o Pampas Safari.

O juiz João Ricardo dos Santos Costa, da 16ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre, determinou a suspensão dos abates sem a comprovação de tuberculose, que seja providenciado o isolamento dos animais contaminados e que os animais sejam separados por sexo para evitar a procriação no local. Se a medida não for cumprida, uma multa de R$ 50 mil será imposta ao estabelecimento notificado.

Entenda o caso
Conforme o site do Pampas Safari Parque de Animais Selvagens Ltda., o empreendimento do Grupo Febernati foi fundado há 40 anos. Autointitulado “o maior safari da América do Sul”, tem área de 320 hectares e mantinha cerca de 2.000 animais (camelos, zebras, lhamas, cervos, antílopes, búfalos, hipopótamos, cisnes, emas, flamingos, cágados, pavões, macacos, capivaras, antas, entre outras espécies exóticas e nativas).  Alvo de fiscalização e processos desde 2013, o parque encerrou suas atividades em 2016. O Ibama calcula que o local abrigue hoje cerca de 500 animais, embora o representante do órgão tenha  afirmado à imprensa local nunca ter recebido laudos completos sobre o número de animais presentes.

Dados dos processos apontam indícios de descaso sanitário e ambiental da administração do Pampas Safari no controle de doenças, alimentação e reprodução dos animais há mais de 10 anos. Cervos e outros animais originários do parque eram abatidos para consumo humano.

Por Gelcira Teles, Articulação de Comunicação