Em sua apresentação na audiência pública de 28/11, da Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara dos Deputados, o biólogo Frank Alarcón, porta-voz do Partido ANIMAIS, detalhou como o empreendimento falsamente anunciou-se ao público local e internacional como sendo de cunho conservacionista e ambientalista.

Transmitida ao vivo pelo YouTube com expressiva participação de ativistas de todo o Brasil, a audiência teve como finalidade debater “a intenção de abate de mais de três centenas de animais exóticos e da fauna nativa pertencentes ao plantel do Pampas Safari Ltda., localizado em Gravataí, RS, por razões de contingência econômica e suposta contaminação patológica”.

A deputada Regina Becker Fortunati (Rede/RS) apresentou um histórico da mobilização dos ativistas do RS, reconhecendo que foi graças a eles que o caso ganhou repercussão na imprensa, e abordou a Ação Popular que moveu para manter a vida dos cervos, supostamente contaminados com tuberculose. ”Reafirmo que temos dois conservatórios credenciados pelo IBAMA e que atendem a todos os requisitos legalmente exigidos, dispostos a recebê-los e que nós não vamos desistir de lutar pelo direito à vida destes animais.”

Juliana Coube relatou a vigília que ela e outros ativistas do RS realizaram em frente ao Pampas.

Evasivas
O advogado Everton Balsimelli Staub, procurador do Pampas Safari Parque de Animais Selvagens Ltda., manifestou que o abate dos cervos não é uma simples opção, mas o único caminho “racional e legalmente possível”, e que diferentemente do que afirmou a deputada desconsiderar a tuberculose é uma irresponsabilidade. Staub foi evasivo quanto aos questionamentos sobre o plantel ou a quantidade de animais vendidos para o abate, afirmando que talvez nem forneça estes dados posteriormente.

Vânia de Plaza Nunes, diretora Técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal/SP, discorreu sobre bioética e questões sanitárias, visto que se tratava “de um problema de bem-estar dos animais e de saúde pública”. Apontou “a omissão dos órgãos públicos”,  o que para ela agravou ainda mais a situação. “Deve-se propor mudanças nas leis, torná-las mais rígidas para proteção dos animais e da sociedade, e investir na fiscalização”, sugeriu, reforçando que é necessário saber o número de animais comercializados vivos e que existem diversas leis que responsabilizam criador, vendedor e comprador.

Quatro décadas de exploração e enganação
Representando o Instituto Luisa Mell, o biólogo Frank Alarcón garantiu que o Pampas Safari incorreu em suspeição e irresponsabilidade desde a distorção de sua finalidade (criação para abate e não promoção de consciência ecológica) e por não revelar o plantel ou a quantidade de animais abatidos. “Após quatro décadas de exploração de diversas espécies animais para criação e abate, pretendem assassinar todos os animais de seu plantel (mais de 500) para encerrar suas atividades”. Conforme o biólogo, o registro documental do Pampas Safari é robusto e advém desde a época de sua fundação, confirmando a verdadeira proposta do empreendimento: produzir e vender animais para abate ou cativeiro, além de estar envolvido na disseminação de patógenos de relevância sanitária e ambiental. “Está claro que exploradores de animais se utilizam dos mais diversos mecanismos para ocultar seus verdadeiros interesses”, denunciou Alarcón. Veja aqui a participação do biólogo na audiência.

A audiência foi aprovada na reunião da CMADS de 13 de setembro, a partir de requerimento do deputado Ricardo Izar (PP/SP). Aliado da causa animal há muitos anos, Izar atendeu prontamente à solicitação de Alarcón  para que o caso Pampas Safári fosse debatido na Câmara dos Deputados.

EXPOSITORES
– Marcelo Göcks, Chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Secretaria de Agricultura,
Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul — SEAPI
Frank Alarcón, Biólogo e Membro-fundador do Instituto Luisa Mell de Assistência aos Animais e ao Meio Ambiente
– Everton Balsimelli Staub, Procurador do Pampas Safari Parque de Animais Selvagens Ltda.
– Juliana Coube, Ativista da causa animal
– Regina Becker Fortunati, Deputada Estadual/RS
– Vânia De Plaza Nunes, Diretora Técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal/SP

Assista a audiência na íntegra aqui.

Gelcira Teles (Articulação de Comunicação), com informações de Frank Alarcón e Regina Becker Fortunati.

Foto: Will Shutter