ANIMAIS é o primeiro movimento político no Brasil visando uma ampla defesa dos animais não-humanos em todas suas representações biológicas. Temos como objetivo defender-lhes e garantir-lhes o justo usufruto de suas necessidades mais fundamentais, tais como vida digna em completa liberdade, dotada de plena integridade física e psíquica, com franco acesso à sua ambientação ecológica originária e à espontânea manifestação de suas características inatas.

O movimento ANIMAIS busca também discutir e lutar em todas as esferas políticas, jurídicas, sociais e culturais brasileiras, pela construção de uma realidade respeitosa, ética e legislativamente justa com todas as representações animais – sejam elas observadas em espaço urbano, rural ou selvagem. É um fundamento basilar no movimento ANIMAIS a premissa de que animais não-humanos não são coisas e, portanto, não devem ser vistos ou tratados como tal. Objetivamos defender todos os animais e o meio ambiente, no qual estão ou deveriam estar inseridos, haja vista a agressiva interferência que nossa espécie (também animal) tem causado ao planeta e ao território brasileiro no curso de sua história.

Nós, do ANIMAIS, trazemos novas propostas à política brasileira, as quais reúnem a criação e desenvolvimento de um outro olhar sobre a vida em sociedade: defendemos uma perspectiva inclusiva, pacífica e justa, que entende ser possível uma convivência harmoniosa entre animais humanos e não-humanos, cada qual em pleno gozo de seus interesses e direitos fundamentais, todos inscritos em um entorno ambientalmente correto, amplo e preservado. O movimento ANIMAIS brinda a sociedade brasileira com estratégias e reflexões que respeitam e preservam o que há de naturalmente rico neste país: a biodiversidade de multivariada fauna e flora – nativa e doméstica -, e as complexas necessidades que delas emergem.

Isto não é apenas um sonho. É também uma necessidade. É chegado o tempo em que a humanidade deve repensar sua própria significação e impacto. Em sua trajetória, a humanidade tem alimentado e perpetuado a datada prática do Especismo – valoração moral discriminatória contra aqueles não pertencentes à sua espécie. Tal conduta deixou aberta uma chaga ética abominável: a da exploração contínua e violenta daquele que é biologicamente diferente. Com sua ajuda podemos tornar viável a construção de uma existência coletiva justa e compassiva, que vê no outro não um meio para a obtenção de um fim, mas alguém com um fim em si mesmo.

Queremos essa mudança. Acreditamos nela. E somos muitos. Milhões. Tanto no Brasil como em todo o mundo. Por isso, a bandeira do movimento ANIMAIS é a defesa firme e precisa dos vulneráveis de qualquer espécie biológica. Queremos provocar uma revolução profunda em todas as áreas que patrocinam e estimulam a exploração animal ou ambiental. Sob qualquer aspecto, não é mais possível defender a exploração do outro, sempre à revelia, sob o pretenso discurso do progresso, da justiça e do respeito – pois, não há progresso, justiça ou respeito no exercício da violência. A exemplo da escravidão humana, da exploração feminina, da segregação étnica, do preconceito de gênero, da criminalização daquele que é diferente – práticas que deixaram de ser institucionalmente aceitas e publicamente defendidas salvo no seio da ilicitude, das ditaduras ou das dissimulações -, queremos, podemos e devemos banir de nossa realidade a exploração animal em todas suas formas e intensidades. Esse movimento dá seu passo inicial no Brasil conosco: o ANIMAIS.

A histórica e massiva exploração dos animais e de seu meio ambiente tornou tanto necessário como inevitável que nos fizéssemos presentes no cenário político. Já não basta mendigar favores inconclusos ou modestos de alguns poucos atores da vida política nas esferas municipal, estadual ou federal. Se somos muitos, se temos massa crítica, podemos facilmente falar por nós mesmos. Nossa persistência e garra na defesa animal catapultou o nascimento deste esforço, uma vez que somos fruto do desprezo e injustiça social que maltrata e explora àqueles que defendemos diariamente ao longo de décadas – animais domésticos, silvestres, exóticos, explorados pela indústria, pela ciência, pelo entretenimento, para citar alguns poucos.

Estima-se que a vida na Terra tenha surgido há cerca de 3,4 bilhões de anos. Em termos numéricos, apenas as espécies animais formalmente catalogadas no globo ultrapassam 1,4 milhão. Nós, animais da espécie Homo sapiens, somos apenas uma delas. Uma ínfima parte do catálogo biológico atual, evolutivamente juvenil na longa história da vida planetária. Enquanto animal moderno, temos pouco mais de 200 mil anos. Nosso registro paleocivilizatório mais antigo remete a 10 mil anos. A Revolução Industrial ocorreu há pouco mais de 200 anos. Em pouquíssimo tempo, com um contingente hoje superior aos 7,3 bilhões de indivíduos, modificamos múltiplos aspectos do planeta Terra, sem cerimônia, sem cuidado, alterando o modo de vida de todos os outros habitantes desse mesmo espaço. Não há dúvida de que, enquanto organismo biológico, temos a capacidade de interferir no cenário ambiental em uma escala perigosamente assombrosa e veloz, muito mais que qualquer outra espécie biológica conhecida. Uma pergunta simples se apresenta: a forma como temos agido em relação aos outros organismos pode ser considerada justa, compassiva, eticamente aceitável? Não! Não parece justo e aceitável que tenhamos incorporado em nosso modo de vida, a exploração brutal e contumaz daqueles que consideramos diferentes por uma simples questão de hábito, conveniência ou preferência. Não parece correto que estejamos consumindo recursos como se não houvesse amanhã. Temos usado equivocadamente nossas surpreendentes capacidades para justificar práticas que nos envergonhamos de defender em público. E mesmo quando assim o fazemos, travestimos essas práticas exploratórias e abusivas de um verniz enganador e desonesto, fazendo-as parecer diferentes do que são de fato: violência e exploração pura e simples. Com essa conduta, temos provocado intenso sofrimento a outros habitantes do planeta, humanos e não-humanos. Isso está absolutamente errado, pois precisamos entender que a vida na Terra se manifesta nas mais variadas formas.

O movimento ANIMAIS defende uma sociedade que estenda seu círculo de consideração moral a todas as espécies biológicas conhecidas e desconhecidas. Afinal, em que sentido podemos almejar um mundo justo e respeitoso se ignoramos e oprimimos todas as parcelas vulneráveis não-humanas presentes neste planeta? Animais não-humanos são indiscutivelmente parcelas vulneráveis, historicamente ignoradas e oprimidas em nossa comunidade. Vivemos um momento de necessária autocrítica: reivindicamos paz, não-violência, justiça. Mas quanto disso realmente colocamos em prática quando interagimos com aqueles diferentes de nós? Enquanto movimento de luta por direitos fundamentais (neste caso, Direitos Animais), somos aquele que mais cresce em todo o planeta. A mensagem é muito simples: se você ama ou respeita animais – terrestres ou aquáticos, grandes ou pequenos, domesticados ou selvagens, humanos ou não-humanos -, você pode e deve participar deste movimento.

O movimento ANIMAIS nasce da necessidade de uma nova e imperativa reflexão: somos interdependentes enquanto organismos biológicos e não somos os únicos que devem ter franqueados direitos fundamentais como vida digna, livre e pacífica. Residimos na Terra, onde coabitam outros organismos tão merecedores de respeito quanto nós. Ou seja, o planeta Terra é um condomínio. E temos nos comportado como o inquilino abusivo e mal-educado. Aquilo que nos afeta, afeta globalmente centenas de milhões de outros habitantes. Diariamente. Intensamente. Os demais organismos deste planeta não podem ser considerados menos importantes no cálculo final das consequências que nós próprios engendramos. É mandatório que vejamos nossos problemas e nossas condutas sob um novo prisma: o prisma da Ética, pois não é coerente e justo ignorar o outro em nossas tomadas de decisão. Não toleramos esse raciocínio quando estamos no outro prato da balança. O mundo moderno vive sob uma profunda crise de percepção, individual e coletiva, derivada do fato de que a maioria de nós patrocina e concorda com a opressão do que é não-humano. Temos aceitado com tranquilidade que o biologicamente diferente possa ser subjugado, explorado e descartado enquanto coisa, objeto ou propriedade. Isso está evidentemente errado.

Em termos globais e políticos, o Brasil está a reboque de outras nações em 200 anos no tocante à discussão de Direitos Animais. Para citar apenas um exemplo: o Brasil vergonhosamente orgulha-se de ser líder mundial na exportação de animais para abate. Enquanto isso, neurocientistas mundialmente influentes reconheceram textualmente na Declaração de Cambridge, de 2012 o peso das evidências científicas: a de que diversos animais não-humanos são portadores do substrato biológico fundamental e necessário para a manifestação dos mecanismos fenomenológicos da consciência. Isso tornou evidente que o tratamento dispendido àqueles diferentes da nossa espécie tem sido moralmente abominável, além de cientificamente equivocado.

É tempo de mudar. E são notórias as mudanças de pensamento no século que se inicia. É tempo de proteger e respeitar os animais e o seu meio. A indústria e o comércio de animais e seus derivados estão com os dias contados. A mesma só é perpetuada por aqueles que auferem lucros estrondosos oriundos da exploração de quem não pode se defender. O mesmo acontece com a proibição de testes animais na indústria cosmética. Com o fim do uso de animais como instrumentos de tração e carga. Com o repúdio ao uso de animais como entretenimento em festas, circos, rodeios. Com o declínio de tradições retrógradas na contramão do progresso cultural e ético de uma sociedade. Com a requalificação do status legal dos animais à categoria de pessoas, dando-lhes assim a merecida proteção além do mero interesse econômico.

Essas revolucionárias mudanças ainda são tímidas, deixando clara a importância do surgimento e fortalecimento do movimento ANIMAIS no Brasil. Nós do movimento ANIMAIS, convidamos todo cidadão brasileiro, minimamente interessado na construção de um mundo mais justo e compassivo entre todos seus habitantes – humanos ou não -, a compor uma só força e modificar a cruel realidade aplicada às parcelas vulneráveis da nossa sociedade. Juntos somos mais! E juntos lutaremos pelos vulneráveis! Pois eles, os vulneráveis, têm sim, voz, mas têm sido silenciados na longa história da exploração praticada pelo homem, no Brasil e no mundo. Isso pode e deve mudar.

Somos ANIMAIS!