Inconformados com a decisão de Supremo Tribunal Federal (STF) – que em 6 de outubro julgou a vaquejada inconstitucional por maus tratos aos animais (violação do art. 225 da CF/88), a Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ) e outras instituições que se beneficiam financeiramente da prática realizam uma manifestação em Brasília no dia 25.

Em contrapartida, o recém-criado Partido ANIMAIS lançou Nota Oficial de apoio ao STF (nacional e dirigida a ONGs de defesa dos animais e outros partidos animalistas) e e expressa preocupação com o deslocamento dos comboios de caminhões transportando cavalos, em vista da possibilidade de quarentena desses animais e suas consequências.

“O partido repudia veementemente a teimosia daqueles que exploram os cavalos e bois em contestar a decisão do STF pela inconstitucionalidade da ADI 4983 sobre a lei estadual cearense 15.299/13 que, mediante o verniz de prática desportiva e cultural brasileira, buscava regulamentar e perpetuar o abuso de entes vulneráveis”, destaca o biólogo Frank Alarcón, porta-voz de ANIMAIS.

Segundo as páginas nas redes sociais das entidades apoiadoras das vaquejadas, centenas de caminhões lotados de milhares de cavalos estão se dirigindo à Capital Federal desde a semana passada, principalmente dos estados do Nordeste.  “Numa clara demonstração de desprezo e desrespeito à condição animal, submetem os cavalos a dezenas de horas de viagem por milhares de quilômetros de estradas movimentadas, enclausurados em caçambas, sob buzinaços, expondo animais sadios ao risco de acidentes rodoviários, contaminação por outros animais doentes, assim como favorecendo a disseminação de doenças a outros estados e municípios, como a Anemia Infecciosa Equina (AIE) e o Mormo”, enumera.

Na manhã do dia 25, numa manobra orquestrada pela Bancada Ruralista, segundo os defensores dos animais, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado vota o PLC 24/2016, de autoria do Capitão Augusto (PR) – que “eleva o Rodeio e a Vaquejada à condição de manifestação cultural nacional e de patrimônio cultural imaterial”. À tarde, a Comissão do Esporte da Câmara recebe audiência pública sobre o PL 2452/2011, de Efraim Filho (DEM) – que transforma a vaquejada em atividade desportiva formal.  Vale ressaltar que 28 senadores são autores da PEC 50/2016 – que visa acrescentar o § 7º ao art. 225 da Constituição Federal, para permitir a realização das manifestações culturais, que utilizem animais, registradas como patrimônio cultural brasileiro.

Relatos nas redes sociais dão conta que já existem 310 caminhões e 2 mil pessoas no Parque Leão. Refeições e toda a infraestrutura são fornecidas gratuitamente, reforçando o repúdio à contestação da decisão do STF e à instrumentalização dos animais para fins financeiros e políticos. “Fica claro que o movimento de protesto demonstra o real valor moral atribuído aos animais escravizados pelos defensores das vaquejadas: o de serem simples objetos descartáveis, submetidos às vontades supremas e caprichosas de seus capatazes”, finaliza Alarcón.

Foto: José Cruz – Agência Brasil